quinta-feira, 21 de maio de 2015

AURORA BOREAL NA NOITE POLAR - DEZEMBRO 2014

No mês de dezembro passado não tínhamos nenhum grupo organizado para embarcar....

Embora eu já tivesse tido a experiência de buscar a aurora boreal em uma época sem a luz do sol em 2006, estava sozinho, nunca tinha levado qualquer grupo nesta época, mesmo com tantos anos levando pessoas em busca das luzes.


Tínhamos acabado de viajar com 2 grupos de outono, com muita aurora em ambos, como descrevi nos 2 posts passados aqui no blog. A procura de pessoas querendo viajar em fevereiro e março também era enorme, estávamos lotados.... Mas, para dezembro, realmente não havia nada planejado....



Eu e a aurora boreal em dezembro

Por outro lado o Gustavo Macedo, de Brasília, me mandava email toda semana perguntando sobre a possibilidade de embarcarmos naquele mês, mesmo sem a luz do sol, pois era sua única data disponível. Após uma longa troca de emails, concordei em fazer um roteiro diferente, mais curto, sem a Ilha de Svalbard que fica 24 horas escura nesta época, mas com uma semana buscando as luzes em Tromso.  

Eu, Gustavo, a Daniela Magalhães, e família embarcamos em um pequeno grupo, totalmente particular, outra novidade para mim. 

A região de Tromso, no norte da Noruega, fica sem a presença do sol de 27 de novembro até o dia 15 de janeiro, ou seja, quase 2 meses sem aparecer sobre o horizonte. Iríamos chegar na cidade bem no meio deste período de "noite polar".



Noite polar no norte da Noruega

A "noite polar" em Tromso, fotos acima e abaixo,  na verdade, é também chamada de "noite polar azul" por seus moradores. Isso se dá por que, embora o sol não apareça, ele fica um pouco abaixo da linha do horizonte de 10 da manhã até cerca de 2 da tarde,  formando uma penumbra surreal e fantástica, como luz negra de boate, deixando a neve fluorescente.

A luz fluorescente sobre Tromso

Ao contrário da Ilha de Svalbard que nessa época fica um breu, 24 horas, em Tromso pode-se ver a paisagem, as montanhas e fiordes por algumas horas, mesmo sem vermos o sol,  como se observa nessas fotos.

Em uma semana buscando a aurora boreal na região de Tromso e Kilpisjarvi, norte da Finlândia, pudemos vê-la por 5 noites. Mais um sucesso absurdo em matéria de visualização, como aconteceu por toda a temporada.

Logo na primeira noite em 16 de dezembro que, ao mesmo tempo era o dia do meu aniversário, ela apareceu para nós. Foi um presentão e uma noite inesquecível.

 Eu e minha aurora boreal de aniversário

No dia em que estávamos isolados no chalé da Finlândia com o tempo completamente fechado, estudei a radiação que chegava na Terra e percebi que veríamos uma grande aurora boreal caso conseguíssemos tempo aberto, sem nuvens.



índice Bz, outra variante que nos ajuda a prever a aurora, estava para o sul, mostrando grande atração eletromagnética. Eu precisava achar tempo aberto de qualquer forma e, segundo a pesquisa, talvez encontrasse uma janela de céu estrelado cerca de 80 km dali...

Saímos do chalé em direção à Skibotn, borda com a Noruega, com uma nevasca caindo sobre a estrada, dificultando dirigir mesmo em baixíssima velocidade...


Após cerca de 1 hora na estrada o céu começou a se abrir,  exatamente como esperado, e conseguimos achar uma espécie de buraco nas nuvens, mais uma vez.


Foi uma noite fantástica, entre os pinheiros no alto de uma colina,  no meio do nada... 

Abaixo algumas fotos e um video, meus e da Daniela Magalhães que, mesmo em sua primeira viagem em busca da aurora, conseguiu tirar excelentes fotos.



Mais algumas fotos:



  Aurora sobre o vilarejo de Grtofjord

Viajar em dezembro e ficar uma semana sem ver a luz do sol foi uma grande experiência e nos mostrou que cada mês, de setembro à março, pode ser excelente para vermos as luzes, cada um com sua peculiaridade. A noite polar é linda, traz um sentimento de paz e isolamento, é muito diferente de tudo...




Obrigado por nos acompanhar, em breve atualizo o Blog com as viagens seguintes de fevereiro e março. Para quem tiver interesse em embarcar conosco neste roteiro e trabalho pioneiros em nosso país, por favor mandar um email para contatogeotrip@gmail.com

Conheça nosso site: www.geotrip.com.br

Abs

Daniel Japor

sexta-feira, 8 de maio de 2015

AURORA BOREAL EM TODOS OS DIAS DA VIAGEM - OUTUBRO

 Olá pessoal, tivemos diversos grupos em sequência neste outono/inverno - de setembro até março.  Acabei fazendo seis grandes viagens no total, com muita correria, por esse motivo acabei não atualizando o Blog como pretendia.

Tivemos nesta temporada - mais uma vez - resultados espetaculares em relação a visualização da aurora boreal, mostrando-nos que nossa experiência acumulada, ano a ano, viagem a viagem, tem nos ajudado muito nesta missão.

O resultado de nossa viagem do mês de outubro foi o mais incrível  entre todas as nossas dezenas de grupos até hoje.  Em 9 noites no Ártico pudemos ver a aurora boreal todos os dias, sem faltar nenhum, algo muito raro, dificílimo de acontecer. Ainda mais se levarmos em conta que em 2 dessas 9 noites tivemos a radiação formadora da aurora boreal em níveis extremos, com o campo magnético da Terra carregado de energia e auroras inacreditáveis.

Outro detalhe que tornou esta viagem única foi a presença da Malu, uma menina que tinha acabado de fazer 2 aninhos, nossa primeira criança buscando a aurora desde que começamos neste trabalho há tantos anos.  Quanta sorte a da Malu....

Espero poder levar meu filho Theo, de 5 anos, em setembro deste ano. Se ele tiver metade da sorte da Malu, ficarei muito feliz!!

Na foto abaixo, nossa mini caçadora de auroras boreais com o pai.



Nesta outra vemos a Malu com os pais, comigo e uma baita aurora atrás:



Já na primeira noite, chegamos na cidade de Tromso com o tempo completamente fechado. Após algumas pesquisas pude perceber que se dirigisse uns 150 km para o sul, talvez encontrasse uma janela de tempo aberto. Assim fizemos e deu certo, logo na primeira noite encontramos a aurora cheia de energia, como mostra a foto abaixo do amigo Alexandre Manhães que já havia viajado conosco em outra ocasião e decidiu voltar.



Continuamos vendo a aurora boreal todos os dias, sempre buscando fugir das nuvens.

Na foto abaixo se pode ver parte de nosso grupo de 16 brasileiros, mais a Malu, chegando na Finlândia com o tempo completamente fechado. Neste mesmo dia ele acabou melhorando, as nuvens foram embora às 8 da noite e a aurora apareceu com força total...



 Nosso chalé em Kilpisjarvi, norte da Finlândia antes de escurecer...


O mesmo lugar algumas horas depois, com o tempo aberto e uma linda aurora boreal sobre nosso chalé.  :)


Na foto abaixo eu apareço bem pequeno fotografando a aurora em cima do gelo de um lago congelado. Esse ano o frio chegou cedo....



A aurora sobre a estrada que liga o norte da Finlândia ao norte da Noruega. Conhecida também como rota da aurora boreal.



Abaixo o amigo Davi, pai da Malu, na noite onde passamos horas isolados na estrada mágica sem que víssemos um carro sequer.




Aurora Boreal sobre o lago Kilpisjarvi, Finlândia.



Parte de nosso grupo contemplando as luzes em uma noite inesquecível para todos:



Estrada Mágica, fria, isolada, silenciosa mas cheia de luzes no céu...




Lago congelado abaixo:




Quando a aurora boreal se forma bem acima no céu, chama-se aurora corona, ou coroa da aurora. Sempre que vemos a aurora sobre nossas cabeças ela dança e se movimenta mais rápido. Se estiver intensa e forte como esse dia o visual é incrível. Fica muito difícil encontrar palavras para descrever essa explosão de luz que balançou sobre nós...









                                                      Abaixo, eu e a aurora boreal... :)


Em nosso ultimo dia de viagem em Tromso, antes de partirmos para a Ilha de Svalbard, tivemos outra noite fantástica, a segunda com a aurora extrema.  Por horas as luzes dançaram sobre a praia no oceano ártico, acabei tirando centenas de fotos e fazendo até um filme em timelapse, abaixo:

BASTA CLICAR PARA ABRIR O FILME....


Muito cansados após horas desfrutando das luzes,  decidimos ir embora com a aurora ainda no céu, estávamos satisfeitos e muito cansados. No caminho de volta para o hotel, eu dirigia vendo as luzes do lado de fora do parabrisa quando de repente algo me chocou.  Uma luz de aurora boreal surgiu tão forte, tão nítida, que freei o micro ônibus imediatamente. Não dava para perder um segundo...

Paramos e saltamos em meio à uma lombada da estrada,  não dava tempo de procurar um local normal para estacionar.... Descemos correndo, eu gritava para esquecerem as fotos, os tripés e saíssem logo para que aproveitássemos aquele momento impressionante.

Uma espécie de tubo gigante de luz forte em 3 cores, tão nítido que parecia ser rígido e com textura, rodava desde o horizonte no oceano até o outro lado da montanha ao longe. Como um cabo gigante de teleférico em movimento, ou algo parecido, rodando, com as 3 cores em forma de corrente, com seus elos de luz perfeitos... Assustador!!!

Mesmo com tantos anos podendo ver a aurora boreal, tendo as mais variadas experiências, eu nunca havia visto nada parecido!!  Não tiramos foto deste momento extremo que durou cerca de 10 minutos mas guardamos no coração.

Abaixo outras fotos do Alexandre, na mesma noite, mostrando a aurora bem em cima de nossas cabeças...






Aurora sobre o oceano Ártico:




A imagem abaixo sintetiza um pouco o que são nossas viagens e nossos grupos.  Momento de felicidade e realização em volta da fogueira.








É isso pessoal, de forma resumida espero ter passado um pouco de nossa experiência na viagem de outubro e em breve irei atualizar o Blog com mais fotos e relatos das viagens seguintes de dezembro, janeiro, fevereiro, março....

Para quem tiver interesse em participar de nossos grupos de setembro até março, todos os anos, basta mandar um email para:

contatogeotrip@gmail.com

Um abraço

Daniel Japor

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Viagem em busca da Aurora Boreal - Nova temporada - Setembro de 2014



Daniel Japor
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Olá, desculpem a demora na atualização mas estava aguardando a conclusão de mais um de nossos grupos, desta vez o primeiro da temporada de final de verão e início de outono.

Como preparação antes da viagem, como sempre observamos a previsão de tempo estendida e a possível cobertura de nuvens durante a nossa estadia no norte da Noruega. Além disso, monitoramos as atividades solares formadoras da aurora boreal, previstas pelo ciclo solar de 27 dias. Finalmente,  no dia 14 de setembro partimos de Guarulhos rumo a Tromso com pernoite em Oslo.

Éramos 16 pessoas unidas no mesmo sonho, vermos a aurora boreal em sua plenitude. Por mais que eu possua anos de experiência na busca pelo fenômeno, a cada novo grupo a ansiedade é grande, pois  nunca podemos garantir o sucesso deste fenômeno natural. 

Mesmo após mais de 20 grupos nos últimos anos, com erros e acertos que nos fizeram crescer, a possibilidade remota de não encontrarmos a aurora - embora nunca tenha acontecido - sempre incomoda e faz parte!!

OSLO - DIA 2

Chegamos a Oslo na manhã seguinte e fomos conhecer a cidade. Naquela mesma noite, antes de dormirmos, um de nossos participantes me interfonou dizendo que sua esposa havia passado mal durante a chegada na Noruega e que seria melhor retornar com ela ao Brasil. Pego de surpresa e mesmo tentando atenuar a situação, observei que seria inevitável a desistência. Nestes momentos precisamos manter a calma e assim foi feito. Voltei ao aeroporto, conseguimos vaga para ele em um voo naquele mesmo dia. Longe de casa, saúde e segurança falam mais alto. Dessa forma nos despedimos com pesar do casal que tanto queria conhecer as luzes e seguimos viagem para Tromso, a capital da aurora boreal.

TROMSO - DIA 3

Assim que pousamos em Tromso eu já sabia que a noite seria promissora.  Dias antes a Terra havia sido atingida por duas explosões consecutivas de radiação vinda do sol, formando auroras fantásticas. Aquela seria a última noite sob influência das tais radiações e o índice Bz, que indica a atividade geomagnética, mostrava que grande parte da radiação que chegava a Terra estava sendo atraída, podendo formar grandes auroras naquela noite... Além disso não havia nuvens...

Com essas informações, embora sabendo da grande possibilidade de avistamento da aurora boreal, preferi não dar muitas informações ou esperanças ao grupo, de forma a tentar fazer uma surpresa.  Combinei de sair do hotel as 19 h para que pudéssemos chegar no local as 20 h, ainda antes de escurecer nesta época, mas de forma a aproveitar cada minuto do provável show, desde o início.

Decidi levá-los a um dos meus lugares prediletos por que, além de ser próximo à Tromso, 40 km, é totalmente aberto, sem montanhas embarreirando a visão do céu. Local perfeito em dias sem vento, como aquela noite. Quando venta, por ser muito exposto,  o frio fica insuportável por ali.

Chegando cedo, seguramos a ansiedade aguardando o sol se pôr até as 9 da noite, para enfim começarmos a vasculhar o céu em busca da primeiro sinal. Junto ao surgimento das primeiras estrelas, nosso companheiro de viagem Victor Pereira, olhou para uma pequena mancha no céu e exclamou:

- Daniel, será que aquilo é uma aurora?

Olhei, parecia uma nuvem, mas em dias sem nuvens, aquilo era típico de uma aurora sendo vista na penumbra, com o céu ainda parcialmente escuro. Apontei a câmera para me certificar e não deu outra, era ela... Naquele momento começamos a ver a aurora boreal, cerca de 5 horas após chegarmos na cidade, apenas.

Começando o show



O céu escureceu de vez e o show começou. Primeiro formou-se o arco na direção norte, bem como esperávamos, e todo o grupo começou a delirar diante da estréia. Cerca de 1 hora depois, a aurora começou a pegar mais força, atingindo o nível 7 (vai até o 10) de uma das escalas que medem a quantidade de plasma ou energia ativa no campo magnético.


Eu e a primeira aurora da temporada









O grupo contemplando as luzes

Com a intensificação da aurora boreal, o que antes parecia um arco quase imóvel, começou a se movimentar, dançar, balançando sobre nossas cabeças, formando o que podemos chamar de aurora boreal clássica. Com o passar das horas a lua minguante ficou mais alta e propus ao grupo trocarmos de local para um belo vale onde poderíamos encontrar um lugar mais escuro.

Naquela noite acabamos indo a 4 lugares diferentes, vendo a aurora boreal por horas, até não aguentarmos mais. Ela atingiu o nível 8 em seu momento mais forte, quando podíamos vê-la se movimentar de forma frenética bem acima de nossas cabeças.

Comemoração


Expresso da Aurora Boreal brasileiro no lugar certo

DIA 4 - TROMSO

No segundo dia a previsão não era das melhores. Embora o índice Bz indicasse boa probabilidade de atividade magnética, o plasma vindo do sol já não era tão forte e a previsão da cobertura de nuvens desanimava um pouco.  A região de Tromso e de todo o norte da Lapônia estavam encobertas. Por outro lado, segundo nossa pesquisa, estava soprando um vento típico que indicava que o litoral seria o melhor lugar para uma possível abertura nas nuvens.

Assim dirigimos em direção oeste, rumo a região do litoral do Oceano Ártico. No meio de um vale sem vento avistei algumas estrelas pelo vidro do micro ônibus, decidi parar em um local protegido para fazermos uma fogueira e preparar um salmão fresco que havia comprado horas antes.

Mal começamos a assar o peixe e nossa companheira de viagem, a sempre alerta Margarida Afgoune, gritou que havia um arco sobre nós. Saindo da luz da fogueira, que atrapalhava a visão do céu, pudemos observar que a aurora havia voltado, no segundo dia consecutivo, em uma noite onde achamos uma espécie de buraco nas nuvens. Conseguimos nos manter em tempo aberto e com a aurora por algumas horas mas, mesmo tendo fugido das nuvens, o tempo aberto ainda estava bastante enevoado. Um véu de umidade cobria o ar, embaçando a lua e também a aurora. Mas, mesmo assim, como estava forte, foi outra noite fantástica.

Salmão e aurora boreal



DIA 5 - TROMSO

O dia começou perfeito. Como sempre fazemos, separamos o dia com o tempo mais bonito e aberto para conhecermos Sommaroy, uma vila de pescadores bucólica e isolada em uma península do oceano Ártico. Sempre incluímos esse passeio no roteiro para que nosso participante possa conhecer, além da aurora, o visual clássico e de cartão postal da Noruega, com seus fiordes, montanhas e casinhas coloridas. O passeio foi perfeito, com o tradicional almoço no Arctic Hotel de Sommaroy, onde sugerimos a todos o Halibuth, peixe típico da região. 





A previsão de aurora boreal para este dia belíssimo era ótima, o site da NASA alertava para forte probabilidade de atividade geomagnética nas altas latitudes, novamente o índice Bz ajudando. O tempo estava aberto, mas a previsão indicava que a partir das 20 horas iria fechar novamente.

Por outro lado, estudando o mapa de nuvens percebi que se dirigisse cerca de 80 km em direção noroeste, uma área praticamente desabitada mas belíssima, provavelmente conseguiria fugir das nuvens e da nebulosidade de foggy até umas 2 h da manhã. Mais uma vez a previsão se mostrou correta.

Já no caminho ficou claro que estravamos conseguindo nos afastar da região com nuvens. Adentramos em uma área deserta com estrada de chão, parecendo - no aquecimento do veículo e com a pouca luz que sobrava do dia - que de repente tínhamos chegado ao interior do Brasil com suas estradas de terra batida. O sol se punha no mar, o degradê era incrível, aquele dia que havia começado tão bem em Sommaroy poderia ser histórico.

Paramos na beira do fiorde em uma área completamente isolada onde tínhamos apenas um poste de fiação por perto como sinal de civilização.  Até meu ultimo sinal de 3G pelo caminho, o App que utilizo para acompanhar a radiação de hora em hora, indicava que teríamos uma aurora forte. Ao chegarmos no isolamento,  não tínhamos qualquer sinal de celular, muito menos 3G, só nos restava aguardar pra ver se o show rolaria...

Após 1 hora conversando e aguardando, o espetáculo começou. Do outro lado do fiorde, por trás da montanha a cortina verde apareceu do nada, com força total, se movimentando como um teclado de piano na vertical, atravessando o céu de lado a lado. Era uma aurora assustadora, muito nítida,  forte, uma das mais espetaculares que eu já havia visto em muitos anos buscando as luzes.

Mesmo já tendo visto as Luzes do Norte por dezenas de vezes, dava para perceber que aquela era uma das mais especiais... Em alguns momentos parecia que poderia ser tocada, que estava em baixa altitude, mesmo estando, na verdade, a pelo menos 100 km de altura, nos limites da atmosfera....

Corri para longe do grupo, posicionei minha câmera para fotografar 1000 fotos em sequência, de forma a fazer um filme em timelapse. Deixei ela lá clicando sozinha e voltei para o lado do grupo que, em êxtase, tinha o privilégio de ver uma aurora boreal de altíssimo nível.

Por cima de nossas cabeças ela balançava com velocidade, rodopiava, aparecia inclusive na cor rosa em sua base, algo bem difícil de ser visto a olho nu. A cada movimento o grupo vibrava de emoção e alegria... Depois fiquei sabendo que a aurora boreal naquela noite chegou ao nível 9 de uma escala da Nasa, quase o nível máximo...

QUE DIA COMPLETO E FANTÁSTICO!

Após cerca de 2 horas retornei até onde estava minha câmera, no meio do mato, e interrompi a sequência de fotos, ansioso para ver o resultado. Infelizmente, logo percebi que quase todas as 350   fotos que haviam sido clicadas em sequência estavam perdidas, o forte sereno havia embaçado a lente... Fiquei bastante chateado na hora, havia perdido o que seria meu melhor filme da aurora boreal... Mesmo assim o registro mais importante é o da experiência vivida por todos que, com certeza, jamais serão apagados... Mesmo assim,  algumas fotos se salvaram, como essas abaixo:




Parte do grupo, ficou fora de foco mas valeu

DIA 6 - TROMSO

Durante o dia livre o grupo pôde dar mais uma volta pela cidade para conhecer os Museus, o teleférico e a cidade.  Para a noite a previsão, dessa vez, era muito difícil, tempo muito encoberto. Mais uma vez saímos em busca da aurora mas não encontramos tempo aberto, a radiação vinda do sol também estava muito fraca. Por outro lado, paramos em uma praia, onde caminhamos na areia e mergulhamos as mãos em pleno oceano glacial.

DIA 7 - VIAGEM PARA KILPISJARVI - FINLÂNDIA

No dia em que completamos uma semana incrível de viagem, partimos rumo a Kilpisjarvi, cidadela localizada a 270 km de Tromso, tradicional destino deste roteiro exclusivo que criamos há anos e de forma pioneira no Brasil.  Percorrendo os fiordes e a cadeia de montanhas Lyngen, algumas horas depois chegamos a fronteira onde sempre tiramos a tradicional foto na placa de entrada na Finlândia.


Tradicional foto que sempre fazemos com nossos grupos nas placas da fronteira

Kilpisjarvi se localiza no extremo norte da Lapônia finlandesa, na beira do Lago Kilpisjarvi, considerado o coração da Lapônia, fazendo fronteira com 3 países, Suécia, Finlândia e Noruega. A região, além da geografia típica, possui um dos céus mais límpidos do planeta, motivo pelo qual sempre a incluímos em nosso roteiro desde o ano de 2010.

O tempo estava fechado, sem previsão de melhora, mas para o grupo que já havia presenciado tanta aurora boreal, isso não era um problema. Chegamos ao nosso chalé e fizemos o jantar que está sempre incluído no pacote. Dessa vez trocamos o bacalhau pelo Halibuth com cogumelos.

Nosso Expresso da Aurora Boreal em frente ao Chalé

DIA 8 - TROMSO (ultima noite)

Após uma noite instalados no típico chalézinho Lapão, retornamos a Tromso, onde pudemos chegar ainda no meio da tarde, sem deixarmos de passar por um monte de renas... :)


A noite, o tempo continuava fechado, dessa vez ainda pior, com previsão de neve. Para nós, que havíamos tido tanto contato com a aurora boreal, a possibilidade de neve no verão (fim de verão e chegada do outono), foi um atração a mais e assim saímos do hotel a noite, sem qualquer pressão. Dirigi até um vale cercado de montanhas altas, de forma a tentar que os cumes pudessem embarreirar algumas nuvens e abrir alguns buracos no céu. Essa estratégia as vezes dá certo mas nessa noite só encontramos flocos de neve caindo, os primeiros do outono que chegaria no dia seguinte. Foi uma pequena festa para os brasileiros, alguns nunca tinham visto a neve caindo.

DIA 9 - ILHA DE SVALBARD

Acordamos e nos dirigimos ao aeroporto para o destino final, a Ilha de Svalbard. Pedaço de Terra isolado no extremo norte do Planeta, o arquipélago possui a cidade mais ao norte do mundo, Longyearbyen. Terra dos ursos polares, geleiras, tundra sem árvores e geografia parecida com a Antártica, a ilha é nossa cereja do bolo no fim do roteiro, onde nosso participante pode concluir a viagem unindo a aurora boreal no norte da Noruega, a noite isolada no chalé da Lapônia e por fim conhecer a fronteira da calota polar norte.

Chegamos, fomos para nosso hotel e o grupo pôde passear pela cidadezinha mais isolada e polar do mundo.

Chegada em Svalbard



DIA 10 - O URSO POLAR E A CIDADE FANTASMA

Na manhã do decimo dia o grupo embarcou no passeio de barco rumo a geleira e a cidade fantasma chamada Pyramiden, abandonada pelos russos em 1998, e deixada como estava, intacta até os dias de hoje, tomada pelos pássaros. No caminho, próximos a geleira, novamente algo incrível aconteceu. Um urso polar descansava sobre pedras, próximo a geleira e ao barco, fazendo com que todos pudessem vê-lo, fotografá-lo. Até mesmo gritos foram dados pelo pessoal no barco, para que o bicho se movesse e levantasse....Após anos com este mesmo roteiro, esse foi nosso primeiro grupo que conseguiu ver o urso polar neste passeio.


 Abaixo foto da cidade fantasma abandonada pelos russos com o busto de Lenin de frente pra geleira ao fundo...


Embora eu já tivesse visto esses animais tão raros na natureza, havia sido em uma expedição não turística de snowmobile (moto de neve), bastante dura e arriscada, em fevereiro passado.  Não imaginava que esse grupo poderia ter esta sorte grande, vendo o bicho de forma segura e confortável... Espero que isso se repita novamente no futuro!

DIA 11 - O RETORNO EM BUSCA DO URSO

Nessa manhã enquanto a maioria do grupo ficou em Longyearbyen, fui convidado pelo amigo Francisco Mattos - um brasileiro produtor e cinegrafista da natureza que reside na Ilha - a voltar a geleira onde estava o urso na manhã anterior em sua lancha. Infelizmente o barco era pequeno, somente uma pequena parte do grupo pôde me acompanhar.

Com o mar bem pesado, cheio de ondas, a lancha pulava e batia sem parar e dessa forma aceleramos até a geleira. Ao contrário do navio da manhã anterior, a lancha, bem mais ágil, consegue entrar no meio do mar gelado, cruzando o gelo flutuante, de forma ágil, nos trazendo uma nova experiência também inesquecível.

Chegando no lugar o urso não estava mais por lá mas estávamos bem preparados para fotografa-lo...rsrsrs



Capitão Francisco Mattos, o amigo brasileiro, gaúcho, gremista, radicado no Ártico




Vasculhamos toda a região sem sinal dele mas, para nossa surpresa, na volta, ao chegarmos ao píer, nos esperava uma velha foca, enorme e cansada, dormindo sobre a madeira...  Nem sei como ela conseguiu pular ali em cima... :)



Para quem quiser depois conhecer o incrível trabalho de fotografia e imagens do brasileiro Francisco Mattos no Ártico, segue o link, as imagens sano de tirar o fôlego:
  http://www.shutterbirdproduction.com

DIA 12 - INÍCIO DA LONGA VOLTA PARA CASA.

Nos despedimos do Ártico e voamos para Oslo, com escala em Tromso. Chegamos no hotel e na manhã seguinte voamos para o Brasil, terminando nossa viagem.
Ultima foto
Acabei me alongando no relato pois foi com enorme prazer que revivi esses momentos. Espero que gostem e caso tenham interesse em participar de futuras viagens conosco, neste roteiro único e pioneiro em nosso País, basta nos enviar um email para contatogeotrip@gmail.com

Aos que quiserem acompanhar nossas viagens passadas ou futuras, fotos, relatos, nos acompanhem pelo facebook: www.facebook.com/auroraborealparabrasileiros

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Muito obrigado

Daniel Japor